A GESTÃO E A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ADVOGADO: DESMISTIFICANDO O FUTURO DA ADVOCACIA

1.2 Foco da gestão em escritórios de advocacia

Os escritórios jurídicos diante das inovações tecnológicas tendem a mudar sua rotina, buscar o novo, tornar-se competitivo. Antes, ferramentas que eram utilizadas somente no mundo administrativo não eram conhecidas pelos advogados. Surge então, a necessidade do conhecimento para a área jurídica, influenciada pelas novas tecnologias e o rumo que toma a globalização.

O mundo jurídico cada vez mais tem quebrado os preconceitos de gestão, o que demonstram a grande importância e preocupação.

Assim diz GOELLNER (2006, p.1-1):

 O mundo contemporâneo tem se caracterizado pela rapidez e intensidade com que se processam as mudanças, impulsionadas particularmente pelas freqüentes inovações tecnológicas e transformações sociais. Diante desse quadro desafiador, com reflexos diretos sobre as pessoas e as organizações, descortina-se perante os líderes, em todos os níveis, a premente necessidade de buscar novas técnicas, métodos e procedimentos que tornem suas organizações e seus liderados: maleáveis diante do novo; susceptíveis a implementação consciente e voluntária de novas metodologias; voltados ao desempenho de suas funções; e permanentemente compromissados com resultados.

 Num mundo globalizado, onde a era do conhecimento ocorre numa velocidade constante, o ritmo das mudanças deverá seguir a dinâmica da tecnologia e as transformações sociais, sendo necessário o surgimento de novas metodologias e ferramentas que auxiliem na busca dos resultados, tornando suas organizações e seus líderes maleáveis diante do novo.

VITORINO (2009) ressalta a importância dos escritórios serem diferenciados, assim dizendo:

 O foco acaba por ser em gestão operacional, ou seja, foco em otimizar suas operações ao máximo, com um grande número de advogados e uma maior capacidade de execução de serviços. Foco na qualidade dos advogados, e conseqüentemente, na qualidade dos serviços. A questão é que ser excelente na prestação de serviços é um dever de casa. Gerenciar com sucessos a operação do escritório não é diferencial e pode ser facilmente copiado pelo seu concorrente. Aliás, o “Benchmarking”, análise e monitoria da concorrência, tem sido um grande entrave no crescimento do segmento jurídico. Os escritórios esforçam-se em serem parecidos, em copiar uns aos outros, enquanto o segmento corporativo se esforça em diferenciar-se uns dos outros.

 O foco hoje em dia torna-se aperfeiçoar suas operações, aumentando a capacidade de serviços. O principal foco do escritório deve ser na qualidade dos serviços. Hoje em dia, ser excelente tornou-se um dever de casa, não sendo mais um diferencial, pois o gerenciamento com sucesso pode ser facilmente copiado. Enquanto uns se esforçam para se parecerem iguais aos outros, outros estão preocupados em diferenciar-se.

Para que o escritório jurídico possa tornar-se competitivo entre os demais que seguem na busca da excelência é preciso inovar, assim dizendo REZENDE (2008, p. 1):

 A inovação nas organizações pode contemplar duas abordagens: tecnológica e humana. A abordagem tecnológica ou cientifica da inovação está voltada ao meio ambiente interno da organização. A abordagem humana ou de aceitação das pessoas esta voltada ao meio ambiente externo da organização. A inovação pode se dar em um produto ou serviço, em um ou mais processos, em aspectos arquitetônicos ou estéticos da organização e até mesmo no modelo de gestão da organização.

 A inovação em uma organização pode estar voltada tanto para o ambiente externo como o interno, em aspectos arquitetônicos ou estéticos, ou ainda se a organização já estiver na busca da excelência, pode-se inovar seu próprio plano de gestão.

Segundo o dicionário AURÉLIO (1999, p. 1115), inovar significa ”tornar novo, renovar, introduzir novidade em”.

Criar novidade, tornar algo novo ou até mesmo renovar algo são os conceitos de inovar.

Junto com a inovação surgem os benefícios de uma gestão eficiente, sendo colhidos os ensinamentos de BATISTA (2009):

 A adoção desta abordagem resulta em vantagens como o aumento da satisfação dos clientes e maior lealdade, menor vulnerabilidade a uma guerra de preços, maior rendibilidade, aumentam-se as possibilidades de sobrevivência da organização a médio e longo prazo, evitam-se as conseqüências negativas da não-qualidade.

 A adoção de uma gestão bem planejada terá vantagens como a satisfação de clientes e sua lealdade para com o escritório, diminuindo sua vulnerabilidade á guerra de preços, possuindo uma maior rentabilidade e com isso aumentar a sobrevivência do escritório, a médio e longo prazo, evitando problemas da não qualidade.

Porém com a adoção desta gestão planejada, vem o desconforto gerado pelo novo modelo de organização, mudando a rotina de todos os que trabalham no escritório, assim dizendo (GOELLNER, 2006, p.1-1):

 A implementação da analise e melhoria de processos pode gerar desconforto por introduzir um novo modelo no trato com os processos organizacionais, pois requer o empenho e a participação de efetiva dos quadros e o imprescindível envolvimento de todos. Mudar a cultura da forma de trabalhar bem como implementar novas tecnologias e equipamentos gera um natural desconforto.

 Uma mudança na rotina de um escritório pode gerar desconforto para todos, pois requer tempo para mudanças e principalmente treinamento para as partes interessadas, por isso esse é um dos primeiros problemas a enfrentar tratando-se de excelência.

Para que haja um diferencial é necessário um planejamento estratégico, dizendo assim HIPÓLITO (2009) que “o planejamento estratégico sempre foi, é, e sempre será, sem dúvida nenhuma, o maior diferencial numa sociedade de advogados que assumi encarar e evoluir com as mudanças que vem ocorrendo na advocacia.

Sendo assim, os advogados que assumirem encarar e evoluir com as mudanças, terão seus escritórios altamente competitivos e diferenciados em uma sociedade, dizendo REZENDE (2008, p. 01) que “as premissas do planejamento estratégico estão relacionadas com a discussão dos temas que introduzem a elaboração, a gestão e a implementação desse projeto desafiador e necessário nas organizações”.

O planejamento estratégico vai estar relacionado com as discussões dos temas que introduzem a elaboração, gestão e implementação do projeto que se torna desafiador, mas necessário às organizações.

Segundo o dicionário AURÉLIO (1999, p. 985) estratégia significa: “arte de aplicar os meios disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos”.

Sendo isso, a estratégia é quem vai definir os meios que serão aplicados para alcançar os objetivos almejados.

MARTIN (1997, p. 12) classifica as estratégicas de negócios em duas, assim dizendo:

 Existem duas espécies de estratégicas de negócios: estratégicas apoiadas e estratégicas aprovadas. Estratégicas apoiadas são as comentadas, dissecadas e analisadas. Estratégicas aprovadas são as que realmente saem da prancheta e são postas em prática. No reino da qualidade em serviços, as estratégicas aprovadas são as únicas que tem importância, porque os clientes dirão se você realmente está oferecendo ou não o que eles querem, da maneira que eles querem.

 As estratégicas realmente importantes no reino da qualidade são as estratégicas aprovadas, pois são elas que saem do papel e postas em prática, quando as estratégicas apoiadas são apenas comentadas e analisadas.

GOELLNER (2006, p.2-2) define o planejamento estratégico dizendo:

Ele representa o caminho que a instituição escolhe para evoluir desde uma situação presente até uma situação desejada no futuro (num determinado horizonte de tempo), ou seja, determina o rumo da organização nos próximos anos, como ela vai chegar lá e como saber se chegou lá.

 É no planejamento que a empresa define sua situação atual e almeja metas para o futuro, determinando o espaço de tempo para isso, definindo as ferramentas de trabalho necessárias e o controle para saber quando atingiu o objetivo.

REZENDE (2008, p.18) define o planejamento estratégico assim dizendo:

 O planejamento estratégico da organização é um processo dinâmico, sistêmico, coletivo, participativo e contínuo para determinação dos objetivos, estratégias e ações da organização. Esta relacionado com o sucesso para as organizações privadas e com o êxito para as organizações públicas.

 O planejamento estratégico de uma organização é um processo dinâmico, sistêmico, além de coletivo e participativo. Sendo contínuo para a determinação dos objetivos das estratégias e das ações da organização, estando relacionado com o sucesso das organizações privadas, bem como o êxito das organizações públicas.

SELEM e BERTOZZI (2009), assim dizem:

 Ora, sem gestão ou planejamento estratégico como as instituições (Judiciário, OAB, etc.), departamentos jurídicos e bancas podem ser administrados com excelência? Como é possível traçar planos de curto, médio e longo prazo sem pensamento gerencial, planos e metas? É realmente possível não conhecer profundamente gestão em um mundo competitivo, veloz e altamente inovador? É possível crer que os mais de 70 milhões de processos que tramitam nos tribunais brasileiros não mereçam a atenção da gestão profissionalizada? Ou mesmo da sua carreira pessoal ou da banca a qual representa?

 Acredita-se então que sem uma gestão definida ou um planejamento estratégico não é possível as instituições jurídicas serem administradas com excelência, tão pouco planos quaisquer que seja seus prazos. Por fim, não se pode virar as costas para a excelência em um mundo competitivo, veloz e altamente inovador. Em um mundo moderno, competitivo, onde milhões de processos tramitam os tribunais diariamente, torna-se necessário a atenção de pessoas profissionais e especializadas em gestão.

A seguir exemplos práticos de gestão que poderão ser aplicados em escritórios jurídicos, aumentando o desempenho organizacional e sua competitividade.

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