A GESTÃO E A RESPONSABILIDADE CIVIL DO ADVOGADO: DESMISTIFICANDO O FUTURO DA ADVOCACIA

1 DESMISTIFICANDO A GESTÃO

 1.1 Afinal, o que é gestão?

 Inicialmente será abordado o primeiro tópico, onde terá como objetivo desmistificar a gestão e seus métodos, bem como as principais funções do gestor e suas características. A seguir um breve histórico de como se deu inicio a gestão.

Para apresentar o histórico da gestão, serão colhidos os ensinamentos de LONGO (2009), que assim diz:

 A preocupação com a qualidade, no sentido mais amplo da palavra, começou com W.A. Shewhart, estatístico norte-americano que, já na década de 20, tinha um grande questionamento com a qualidade e com a variabilidade encontrada na produção de bens e serviços. Shewhart desenvolveu um sistema de mensuração dessas variabilidades que ficou conhecido como Controle Estatístico de Processo (CEP). Criou também o Ciclo PDCA (Plan, Do, Check e Action), método essencial da gestão da qualidade, que ficou conhecido como Ciclo Deming da Qualidade.

 Desde o Século XX já se tinha uma grande preocupação com a qualidade, surgindo com a variedade encontrada na produção de bens e serviços, sendo desenvolvido um sistema de mensuração de variabilidades, ficando conhecido como controle estatístico de processo. Desenvolveram-se também sistemas de controle de processos e ciclos, com métodos essenciais da gestão em busca da qualidade, onde até hoje são conhecidos e utilizados para a implantação da qualidade de grandes empresas. Um desses métodos desenvolvidos foi, por exemplo, o ciclo PDCA que ficou conhecido como ciclo Deming da qualidade, métodos essenciais para a gestão da qualidade.

Com a preocupação do aumento da produção surgem às preocupações humanas, onde torna-se o principal fator para o aumento da produção, almejando condições propicias para o trabalho, assim dizendo VASCONCELOS, PROTIL E HEIDEMANN (2002, p. 111):

 A partir da valorização das necessidades psico-sociais humanas como um fator destinado a aumentar a produção, surgem novos trabalhos envolvendo a questão da motivação. Trabalha-se com o conceito de identidade social, propondo a criação de condições propícias à motivação, uma vez que não é possível motivar nenhum indivíduo, mas criar condições para que este se motive.

Com o aumento da produção é necessário que surja uma preocupação com a motivação e liderança do homem, já que para se aumentar a produção é preciso aumentar o trabalho, criando assim, condições mais favoráveis de trabalho.

Segundo o dicionário AURÉLIO (1999, p. 985) gestão é o “ato de gerir, administração, direção. G. de negócio: administração oficiosa de negócio alheio, feita sem procuração”.

Sendo assim, gestão nada mais é que o ato de gerir ou administrar negócio alheio.

Gestão na definição de NUNES (2009): 

Embora não seja possível encontrar uma definição universalmente aceite para o conceito de gestão e, por outro lado, apesar deste ter evoluído muito ao longo do último século, existe algum consenso relativamente a que este deva incluir obrigatoriamente um conjunto de tarefas que procuram garantir a afetação eficaz de todos os recursos disponibilizados pela organização, a fim de serem atingidos os objetivos pré-determinados.

Assim, com a globalização e o surgimento de novas ferramentas de trabalho permitem que a cada dia que passa, surja um novo conceito e uma nova forma de visualizar e gerenciar a gestão pretendida, embora a gestão sempre esteja ligada com tarefas que visem a aplicação dos projetos e recursos definidos pela organização.

Com os recursos definidos pela organização, surge a preocupação com a gestão de pessoas, pois estas são as principais responsáveis pelo trabalho, onde KNAPIK (2006, p.111) diz que “a gestão de pessoas pode alinhar um plano de ação para aperfeiçoar os resultados que a empresa, os acionistas, os gestores e os colaboradores estejam esperando”.

A gestão sempre vai estar ligada diretamente no plano de ação de uma empresa orientando os funcionários para que estes alcancem os objetivos lançados pelos gestores quando no feitio do planejamento da gestão.

Para melhor entendimento deste planejamento, colhe-se os ensinamentos de GOELLNER (2006, p.2-5) conceituando o plano de gestão como:

 Um instrumento que define, de forma clara e objetiva, aonde a organização pretende chegar, delineando os objetivos a serem conquistados e os caminhos para essa conquista, desdobrando as estratégias em planos de ação e, finalmente, alocando os recursos necessários para sua realização.

 De outra forma, a Gestão vai orientar a maneira como o Gestor irá interferir nos sistemas de organização, bem como sistematizar os processos, liderar e orientar seus colaboradores. Para que o gestor tenha as metas definidas faz-se necessário a adoção de um modelo de gestão. Conforme KNAPIK (2006, p.120) “a adoção de um modelo de gestão por competências passa a ser um recurso estratégico nas empresas, e, se bem conduzida, facilita o gerenciamento dos negócios”.

Esse modelo, se bem conduzido, é quem vai direcionar as pessoas envolvidas na gestão, pois são elas que utilizam das tecnologias e as fazem funcionar, transformam os objetivos ali dispostos em atitudes, além de serem as próprias criadoras de novos desafios.

Para a condução do plano de gestão é necessário que o gestor tenha um gerenciamento correto, assim dizendo KNAPIK (2006, p.72):

Gerenciar tem uma conotação mais administrativa, faz uso de técnicas gerenciais, conhecimentos teóricos e organizacionais, enquanto liderar tem uma conotação mais interpessoal, valendo-se de sentimentos, motivações e valores pessoais. O desempenho eficaz dos gestores de uma organização depende da interação com os estilos de liderança e as técnicas gerenciais.

 Gerenciar faz uso de técnicas gerenciais, tendo sua conotação mais administrativa, diferente da conotação interpessoal de liderar, onde se tem sentimentos e valores pessoais, dependendo destas, o desempenho eficaz dos gestores.

Segundo o dicionário AURÉLIO (1999, p. 986) gestor é “gerente, indivíduo que, sem mandato, administra negócios alheios”.

O gestor não possui mandato, mas é ele que será o responsável em administrar e controlar as ações que visem alcançar os objetivos almejados no plano de gestão pelos sócios da empresa.

ARAÚJO (2004, p.168) delimita as funções do gestor da seguinte forma: “planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar”.

Planejar segundo o dicionário AURÉLIO (1999, p. 1435):

 Planejar é o ato ou efeito de planejar; trabalho de preparação para qualquer empreendimento seguindo roteiro e métodos determinados; elaboração por etapas, com bases técnicas, de planos ou programas com objetivos definidos.

 Planejar é o trabalho de preparação para o empreendimento almejado, seguindo o roteiro determinado, por etapas, tendo todos os objetivos pré definidos.

Conceito de planejar por GOELLNER (2006 p.1-1):

 Planejar a excelência é um processo que possibilita a análise racional das ameaças e oportunidades do ambiente externo, dos pontos fortes e fracos do ambiente interno de forma a estabelecer objetivos, estratégias e ações que possibilitem o aumento do desempenho organizacional.

 Sendo assim, no planejamento da excelência é feita uma análise das ameaças e oportunidades do ambiente externo, bem como o levantamento de pontos do ambiente interno, estabelecendo os objetivos e suas ações para que o aumento do desempenho organizacional seja possível.

ARAÚJO (2004, p.169) diz ainda, que é no planejar que o gestor “irá definir o futuro da empresa, principalmente, suas metas, como serão alcançadas e quais são seus propósitos e seus objetivos”.

O gestor é quem irá decidir no planejamento o futuro da empresa, objetivando as metas e seus propósitos, sendo o responsável pelo bom andamento do plano de gestão da empresa, planejando as metas que deverão ser alcançadas, organizando-as em passos e metas, comandando e coordenando os colaboradores e ainda controlando as atividades e resultados.

Outra definição formada por MAXIMIANO (2002, p.105) que define planejar como “ferramenta que as pessoas e as organizações usam para administrar suas relações com o futuro. É uma aplicação específica do processo decisório”.

Sendo assim, o planejamento estará sempre no processo de decisão de empresa onde irá definir os métodos para administrar suas relações como o futuro.

Outra função do gestor é definida por ARAÚJO (2004, p.169), assim dizendo sobre organizar:

 Se fosse possível sequenciar, diríamos que depois de traçada(s) a(s) meta(s) organizacional (ais), é necessário que as atividades sejam adequadas às pessoas e aos recursos da organização, ou seja, chega à hora de definir o que deve ser feito, por quem deve ser feito, como deve ser feito, a quem a pessoa deve reportar-se, o que é preciso para a realização da tarefa.

 Depois de traçadas a meta, faz-se necessário adequá-las às pessoas e aos recursos disponíveis, definindo o que deve ser feito para a realização da tarefa.

Para melhor compreensão, é feito uma análise dos ensinamentos de MAXIMIANO, (2002, p.111), dizendo que:

 Organizar é o processo de dispor qualquer conjunto de recursos em uma estrutura que facilite a realização de objetivos. O processo de organizar tem como resultado o ordenamento das partes de um todo, ou a divisão de um todo em partes ordenadas.

 Conclui-se então que organizar nada mais é que os recursos totalmente estruturados, permitindo-nos a realização dos objetivos traçados, bem como definir as pessoas, o que e como deve ser realizados.

É na organização, que o gestor adaptando-se aos recursos disponíveis, poderá cancelar e ou ajustar projetos, até que os recursos sejam compatíveis com os que fazem necessário. (HUGE e ANDERSON, 1993).

O gestor adaptando-se aos recursos disponíveis poderá cancelar ou ajustar os projetos existentes, até que sejam compatíveis com o necessário.

Na função de organizar, surge a necessidade da competência de liderança como fator preponderante, onde este terá que ter uma competência própria para a influência das pessoas que a ele se encontrem subordinada.

ARAÚJO (2004, p.170), diz que liderar “envolve influenciar as pessoas para que trabalhem num objetivo comum”.

O líder deverá envolver as pessoas para que estas trabalhem num objetivo comum, tendo suas metas traçadas, sendo preciso, além disso, uma competência essencial na influencia de pessoas de forma que os objetivos planejados sejam alcançados.

Todas estas qualidades de um líder podem ser definidas como uma arte, onde KNAPIK (2006, p. 54) diz que “gerenciar pessoas vai além do direcionamento de competências técnicas, pois deve levar em consideração também aspectos comportamentais, personalidade e emoções que formam talentos humanos”.

No processo de gerenciamento de pessoas não se deve levar em conta somente os conhecimentos técnicos do líder, mas também sua personalidade e suas emoções.

Sobre o papel do líder, assim diz CAMPOS (1992, p.22):

 O papel do líder (gerente) é compreender esta situação e conduzir as pessoas sob sua autoridade para as mudanças necessárias para enfrentar uma economia globalizada e garantir a sobrevivência da empresa e dos empregos.

 Assim, o líder é quem vai conduzir as pessoas para as mudanças necessárias, garantindo assim, a sobrevivência da empresa e principalmente os empregos das pessoas que estão sob ele lideradas.

É no dia-a-dia que o líder irá desempenhar sua vontade, o envolvimento e seu comprometimento, sua determinação e seu carisma nas atividades organizacionais. REZENDE (2008).

O líder na rotina da empresa deverá desempenhar todas as suas características em prol das atividades organizacionais.

MAXIAMIANO (2002, p.119), por sua vez define a terceira categoria como executar, dizendo que “o processo de execução consiste em realizar as atividades planejadas que envolvem dispêndio de energia física e intelectual”.

Depois de planejada as atividades é no processo de execução que estas serão realizadas, envolvendo gastos de energia física e intelectual.

Ainda, é feito uma análise desta terceira categoria, com os ensinamentos de SELEM e BERTOZZI (2009), onde, readaptando os conceitos de Jack Welch para a realidade jurídica, dizem que executar é “a capacidade de efetivamente tirar do papel um projeto, aquela idéia brilhante de melhorar os serviços jurídicos, uma nova tecnologia, uma ousadia no atendimento ao cliente, a implantação de um plano de carreira para a equipe, uma tese inovadora”.

É no processo de execução das idéias que será tirado do papel os projetos, as idéias que tendem a melhorar os serviços jurídicos, utilizando sempre a liderança para colher a reputação necessária para executar o planejamento.

Já na função controlar é claro os ensinamentos de ARAÚJO (2004, p.170) dizendo que “estando a organização devidamente planejada, organizada e liderada, é preciso que haja um acompanhamento das atividades, a fim de se garantir a execução do planejado e a correção de possíveis desvios”.

Após o planejamento da organização rumo a excelência, bem como a organização dos seus métodos e ainda estando ela liderada, faz-se necessário o acompanhamento destas atividades, garantido assim a execução do planejado, bem como a correção de erros quando necessário.

Ainda sobre controlar, GOELLNER (2006, p.1-1), diz que “estudos recentes comprovam que o risco de retrabalho, ou refazer empreendimentos de qualquer natureza, é inversamente proporcional ao tempo destinado ao planejamento”.

Quanto aos trabalhos realizados sem excelência, geralmente faz-se necessário sua repetição ou então recomeçar do zero, investindo tempo e isso para a excelência é perda de dinheiro e muitas vezes de clientes.

A função controlar é assim definido por CAMPOS (1992, p.62) como “um processo é o ato de buscar as causas (meios) da impossibilidade de se atingir uma meta (fim), estabelecer contramedidas (plano de ação) e padronizar em caso de sucesso”.

Quando as metas não estão sendo atingidas é no controle que estas deverão ser verificadas, buscando as causas e estabelecendo novas medidas ou ainda padronizando os métodos caso as metas sejam alcançadas.

É no processo de avaliação que será verificado as estratégias da organização e seu andamento. Este processo de avaliação é assim definido por GOELLNER (2006, p. 4-19):

Esta etapa do planejamento estratégico organizacional objetiva avaliar como a organização está caminhando na direção da situação planejada. O controle, nesse caso, caracteriza-se pelas ações necessárias para assegurar a concretização dos objetivos, metas e planos de ação, bem como se as estratégias estão conduzindo ao rumo planejado.

 Nesta etapa será avaliado como a organização está caminhando na direção planejada, onde serão asseguradas novas ações se preciso para que se concretizem os objetivos, bem como suas metas. Segundo REZENDE (2008, p. 117) “os controles estratégicos se concentram na monitoração e avaliação do processo da administração estratégica para garantir o funcionamento integral do planejamento estratégico da organização”.

São os controles estratégicos que irão se concentrar na monitoração e avaliação dos processos, garantindo assim, o funcionamento do planejamento estratégico da organização.

A seguir será analisada a preocupação dos escritórios jurídicos para com a gestão, onde cada vez mais, estes, preocupam-se em inovar seus métodos e realizar seu trabalho com excelência, tendo um marco diferencial entre os concorrentes.

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